7.4.09

Narcolepsia

Ele acorda numa poltrona, está dentro de um ônibus, não sabe pra onde vai, olha a janela e a paisagem não é familiar, fica inquieto e um homem chega próximo a sua poltrona e pede a passagem, ele não sabe onde teria guardado, até o próprio homem a tirar de seu bolso da camisa, ele agradece e continua sentado tentando entender onde deva estar, interrompe tal pensamento com um outro ainda mais inquietante, porque. 

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Está num barco, há muitas pessoas e nenhuma conhecida, muitas das pessoas estão deitadas quando uma placa acima diz justamente para não fazerem, ele aceita a regra imposta, se acomoda como consegue, tira um mp3 do bolso e aperta play ao audioslave que se desenrola no decorrer da viagem.

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Ele está na frente de algumas crianças que sentadas olham de volta, está falando algo pra elas, mas sente-se como uma terceira pessoa vendo seu "eu" falando, atrás de si vê uma lousa, deduz que o seu "eu" esteja dando aula, toca a campainha do intervalo os meninos correm.

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Está numa casa pequena, tem alguem gritando, vira-se e uma mulher está voltada para ele lhe defereindo palavras perjorativas, ele não entende a razão, e pede uma explicação, o que faz a mulher ficar com mais raiva ainda, é expulso da casa sem entender nada, na rua olha a sua volta e não sabe aonde ir.

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Está num carro, no banco do passageiro, toca evanescence e ele torce para que aquilo acabe logo, os bambuzais formam um tunel a beira de um rio, ha muitas pessoas indo para onde estão indo, ha um papel em suas mãos ele abre e tem uma lista de coisas a se fazer, ele pega caneta e anota em baixo: Fazer hoje.

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Apesar de cansado desses flashes acorda agora numa mesa de poker, não há fichas, se aposta dinheiro e está ha duas horas jogando, a frente um senhor distinto o imprime um olhar de que vai devorá-lo no jogo, não tem medo e joga com avidez, ainda asssim a vitória lhe foge entre os dedos, não podendo competir com um royal flush, ele então se vê não perdendo, mas na verdade o personagem do Steven McQueen, está sentado no sofá nos minutos finais do filme.

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Está numa ponte, não, é uma passarela, está escuro e não se encontra sozinho, ha alguem com ele, os carros passam a todo momento, as garotas de programa tentam arranjar "algo" e os dois ali se entreolham e sabem que aquilo é pouco mais do que poderiam imaginar.

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Está sozinho num fim de ano, ele põe Bon Iver pra tocar.

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Tudo aquilo de alguma forma faz sentido, como num filme do David Linch, como num romance de Dostoievski.

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